Minha história começou antes mesmo do meu nascimento. Foi meu pai quem escolheu meu nome, inspirado no personagem Adonai, protagonista do livro Adonai, de Jorge Adoum, cuja história continua na obra O Batismo da Dor. Ao longo da vida, compreendi que aquele não foi apenas um nome escolhido por sonoridade ou acaso, mas um presente carregado de simbolismo, expectativas e afeto. De certa forma, meu nome sempre me recordou da importância que os livros, o conhecimento e os ideais tiveram em sua vida — e, por consequência, na minha.
Com o tempo, compreendi que meu pai não havia me dado apenas um nome. Havia me deixado uma direção de vida.
Sobre minha vida pessoal
É sempre difícil falar sobre a própria vida. Talvez porque a maior parte do que realmente importa não apareça em currículos, certificados ou cargos ocupados.
Sou marido, pai e avô. Se existe algo que aprendi ao longo dos anos, é que os relacionamentos que construímos são muito mais importantes do que qualquer realização profissional. Boa parte das minhas maiores alegrias, preocupações, aprendizados e motivos para continuar seguindo em frente estão dentro da minha própria família.
Sou feliz, ao ver minhas filhas construindo suas próprias famílias, ao acompanhar o crescimento da minha neta — tão afetiva e carinhosa em um mundo que, por vezes, parece caminhar na direção oposta — e compartilhar a vida com minha esposa, sendo amado e amando todos os dias.
Também sou filho. E, embora a ausência física de meu pai tenha se tornado uma realidade, sua presença continua em muitas das escolhas que faço, nos valores que procuro preservar e na forma como enxergo o conhecimento, o trabalho e as pessoas. Muito do que sou foi construído a partir de seu exemplo.
Sempre fui movido pela curiosidade. Gosto de aprender, de compreender como as coisas funcionam e de explorar novos caminhos. Essa característica me levou à tecnologia, aos livros, à escrita, aos projetos profissionais e a muitos outros interesses que surgiram ao longo da vida. Alguns permaneceram, outros ficaram pelo caminho, mas todos contribuíram para moldar quem sou.
Sou introspectivo, e acredito na importância do silêncio, da reflexão e do tempo. Muitas das decisões mais importantes da minha vida não nasceram da pressa, mas da observação, da experiência acumulada e, em alguns casos, até dos sonhos. Aprendi que nem tudo precisa ser compreendido imediatamente e que algumas respostas chegam apenas quando estamos prontos para ouvi-las.
Aprendi a gostar de plantas, e hoje elas ocupam um espaço especial na minha vida. Também gosto de histórias, de música, de andar de moto e de poucas, mas boas conversas.
Sou contemplativo. Em uma mesa cheia, dificilmente serei o centro da conversa. Sempre me senti mais confortável ouvindo do que falando. A solitude nunca foi um problema para mim. Gosto das pessoas, valorizo as amizades verdadeiras, mas nunca senti necessidade de estar constantemente cercado por elas para me sentir completo.
Sendo filho de meu pai, que, apesar de uma seriedade única, era muito mais expansivo e comunicativo do que eu, hoje compreendo melhor o significado de uma frase que ele costumava repetir após passarmos horas lado a lado, muitas vezes em silêncio, sendo pais, irmãos e amigos: "Entendo meu filho... você não é deste mundo."
Acredito que aquela era a maneira dele dizer que aceitava meu jeito de ser, mesmo sendo diferente do seu, nesse quesito comunicativo. E eu compreendendo o jeito dele, fazia questão de manter nossa casa cheia da família e dos poucos amigos. Era a minha forma de deixar que ele fosse plenamente quem era.
Aprecio a tecnologia pelas possibilidades que ela cria para ajudar pessoas, resolver problemas e transformar realidades. Talvez seja justamente por isso que escolhi usar a tecnologia como um fim para parte dos meus propósitos.
Com o passar dos anos, deixei de acreditar que a vida é uma linha reta. Hoje a vejo como uma coleção de encontros, aprendizados, perdas, recomeços e pequenas descobertas cotidianas. E talvez seja justamente isso que a torna tão interessante.
Se este site existe, é porque acredito que experiências só fazem sentido quando podem ser compartilhadas. Aqui estão reunidos alguns fragmentos da minha trajetória, das pessoas que marcaram meu caminho e das ideias que continuam me acompanhando.