Tempo de ler e tempo de escrever

Minha paixão pela leitura nasceu muito cedo e tem nome: meu pai, Gilberto. Aos domingos, ele me levava à banca de jornais e, enquanto escolhia seu jornal, permitia que eu levasse uma revista. Talvez ele não imaginasse que aquele gesto simples acabaria influenciando toda a minha vida. Foi assim que conheci os gibis da Turma da Mônica, as aventuras de Conan, o Bárbaro, Mad, Superman, As aventuras do Rei Arthur e tantos outros.

Com o tempo, as revistas deram lugar aos livros. A primeira leitura que permanece viva em minha memória é O Escaravelho do Diabo. Depois vieram Alexandre Dumas e uma série de obras que se tornaram companheiras de vida: Fernão Capelo Gaivota, O Pequeno Príncipe, O Profeta, Os Capitães e os Reis, Duna, O Batismo da Dor. O gosto pela leitura nunca me abandonou — e devo isso, em grande parte, ao incentivo constante de meu pai, que sempre acreditou no valor dos livros e da cultura; nossa casa sempre foi cercada de livros, e mesmo já na sua velhice – quando veio morar comigo e com minha família, seu quarto continuou repleto deles.

Como consequência natural, surgiu também a vontade de escrever. Em algum momento, ler já não bastava; havia sentimentos, ideias e inquietações que precisavam encontrar seu próprio caminho até o papel. Entre os 14 e os 16 anos escrevi meu primeiro livro, um apanhado de poesias espalhadas por um ou outro caderno, o exemplar exibido abaixo é o resultado desta fase. Meu pai acompanhou cada etapa dessa jornada e foi um dos maiores incentivadores para que esse livro existisse. Ele ficou mais entusiasmado do que eu — diga-se de passagem — quando ganhei alguns concursos e apareci em alguns jornais.

Nesse período participei de eventos literários, recebi premiações em concursos e fui homenageado em duas ocasiões — alguns desses momentos estão registrados nas imagens abaixo.

Uma dessas homenagens me concedeu o título de "Escritor Prata / 94". Naquele mesmo ano, receberam o título de "Escritor Ouro / 94" nomes consagrados da literatura goiana, como Carmo Bernardes, Eli Brasiliense e Bernardo Élis, enquanto Bariani Ortêncio foi reconhecido como "Escritor Record / 94". Dividir aquele momento, ainda tão jovem, com figuras tão marcantes foi uma experiência única.

Fui acolhido com generosidade pelo meio literário e guardo até hoje uma profunda gratidão por esse reconhecimento. Ainda assim, com o passar dos anos, compreendi que aquele não seria exatamente o meu caminho.

Se existe uma dedicatória capaz de resumir o que representou aquele período da minha vida, ela está nas primeiras páginas do livro: "Para meu pai, irmão e amigo". Mais do que uma homenagem, aquelas palavras traduzem a gratidão por quem me apresentou o universo dos livros, incentivou meus primeiros passos como escritor e acreditou em mim quando tudo ainda era apenas palavras em um papel.

O hábito de escrever diminuiu, mas jamais desapareceu. Hoje continuo escrevendo, muitas vezes sem papel, sem teclado e sem a intenção de publicar. Poucas palavras são registradas; a maioria permanece apenas na memória. Afinal, escrever nunca foi uma forma de aparecer para o mundo. Sempre foi, antes de tudo, uma forma de compreender a mim mesmo.

O aprendizado e os sonhos

Minha trajetória acadêmica nunca seguiu um caminho convencional. Desde muito cedo, meu pai me incentivou a estudar, buscar formação e valorizar o conhecimento como um dos maiores patrimônios que uma pessoa pode construir. Talvez por isso eu tenha desenvolvido uma curiosidade permanente sobre o mundo e uma necessidade quase constante de aprender coisas novas.

Ao mesmo tempo, sempre tive um espírito profundamente autodidata. Gostava de pesquisar por conta própria, explorar assuntos além da sala de aula e buscar aplicações práticas para aquilo que aprendia. Essa característica me trouxe muitos aprendizados ao longo da vida, mas também tornou minha relação com o ensino formal um pouco turbulenta. Nem sempre consegui me adaptar ao ritmo e à estrutura tradicional dos cursos, especialmente quando sentia que meu interesse estava me levando para outras direções.

Por essa razão, iniciei algumas graduações sem chegar à conclusão delas. Passei por Ciências Contábeis, Processamento de Dados e Análise de Sistemas, acumulando conhecimento e experiências, mas sem concluir esses ciclos. Enquanto isso, continuava estudando de forma independente, impulsionado pela curiosidade e pelas demandas da vida profissional.

Com a chegada da internet, esse processo se intensificou ainda mais. Passei a ter acesso a uma quantidade quase infinita de informação e a oportunidade de aprender continuamente. Grande parte das competências que desenvolvi ao longo da carreira surgiram dessa combinação entre experiência prática, pesquisa constante e aprendizado autodirigido. Não considero esse caminho melhor do que qualquer outro; apenas foi o caminho que a vida me levou a seguir.

Durante muitos anos, meu pai insistiu para que eu concluísse uma graduação. Eu sempre encontrava novos projetos, novos desafios e novos motivos para adiar esse objetivo. Somente após sua partida compreendi que concluir um curso superior seria também uma forma de homenagear alguém que jamais deixou de acreditar em mim.

Foi assim que finalmente concluí minha formação acadêmica. Desde então, também concluí três cursos de pós-graduação, não apenas pela certificação em si, mas pelo simbolismo de honrar um incentivo que me acompanhou durante toda a vida.

Outro aspecto que sempre exerceu grande influência sobre meu aprendizado são os sonhos. Costumo dizer que raramente tomo decisões importantes sem antes "consultar o travesseiro". Muitas vezes, ideias, reflexões e até soluções para problemas surgem durante o sono, quando a mente parece trabalhar de forma diferente da lógica cotidiana.

Alguns desses sonhos podem ser classificados como sonhos lúcidos. Em diversas ocasiões encontrei neles respostas para desafios profissionais que permaneceram sem solução durante o dia. Recordo-me de um projeto especialmente complexo, desenvolvido para modernizar serviços públicos em Aparecida de Goiânia. Em determinado momento, quando as dificuldades pareciam se acumular, sonhei com uma solução que utilizava recursos já disponíveis e uma abordagem simples para conectar dezenas de unidades envolvidas no projeto. Ao despertar, coloquei a ideia em prática. Funcionou.

Não afirmo compreender exatamente como esse processo acontece. Apenas sei que, ao longo da vida, os sonhos se tornaram uma ferramenta silenciosa de reflexão, criatividade e autoconhecimento.

E há uma curiosidade que se repete desde a infância: voar — ou a tentativa de voar — é presença constante em muitos desses sonhos.

O profissional

Executivo de Tecnologia da Informação com mais de 30 anos de experiência na liderança de iniciativas de transformação digital, inovação e governança em ambientes críticos, com atuação consolidada nos setores de saúde, telecomunicações e serviços públicos.

Atualmente atuo como Coordenador de Tecnologia no Instituto de Desenvolvimento Tecnológico e Humano (IDTECH), conduzindo a estratégia tecnológica e a modernização de operações em hospitais, redes assistenciais e plataformas institucionais, com foco em eficiência operacional, segurança da informação, governança e sustentabilidade digital.

Possuo ampla experiência na integração e evolução de sistemas corporativos complexos, incluindo ecossistemas hospitalares (MV Soul, MV PEP, Oracle), além de gestão documental e assinatura eletrônica (GEDOC sistema desenvolvido internamente), automação de processos (APIs, bots e orquestração), arquitetura de soluções, dados e conformidade regulatória, com forte atuação em LGPD e governança da informação.

Atuo de forma transversal entre pessoas, tecnologia, negócio, jurídico, compliance e operação, conectando áreas e promovendo soluções integradas que aumentam a eficiência, reduzem riscos e ampliam a qualidade dos serviços prestados.

Possuo vivência na interlocução com alta gestão pública, participando de reuniões estratégicas com governadores, prefeitos, secretários de saúde e suas equipes, atuando como ponte entre áreas técnicas e decisões institucionais, traduzindo demandas complexas em soluções viáveis e orientadas a resultado.

Ao longo da carreira, tenho liderado equipes multidisciplinares, fornecedores e projetos de missão crítica, entregando soluções escaláveis, sustentáveis e orientadas a resultados, com impacto direto na experiência do usuário, na eficiência institucional e na tomada de decisão baseada em dados.

Combino visão estratégica com forte capacidade técnica, mantendo atuação hands-on quando necessário, especialmente em automação, integração de sistemas, análise de dados e estruturação de soluções digitais.

Meu perfil é orientado a resultados institucionais e ao público, governança, inovação aplicada e transformação digital com impacto real, especialmente em ambientes complexos e regulados.

Abaixo registros aleatórios:

Whiplash!

Antes mesmo das redes sociais se popularizarem, tive a oportunidade de participar de uma fase marcante da internet brasileira ao ajudar a construir o Whiplash!, que viria a se tornar o maior portal de Rock e Heavy Metal do Brasil.

Minha história com o Whiplash! começou antes mesmo de sua criação. Foi nessa época que conheci João Paulo Andrade (JPA). Apesar da coincidência no sobrenome, não possuímos qualquer parentesco, mas construímos uma amizade que atravessou décadas e permanece forte até hoje, mesmo vivendo em estados diferentes do país.

Quando o Whiplash! surgiu, acompanhei de perto seus primeiros passos e participei ativamente de seu crescimento, atuando principalmente na administração do canal oficial no IRC. Nesse período, os bots Riggs, Murtaugh e o meu preferido Poserkiller se tornaram ferramentas importantes para a comunidade que se formava em torno do portal, odiados por muitos e amados por poucos.

Olhar para trás e lembrar daqueles anos é recordar uma época pioneira da internet, quando comunidades eram construídas pela paixão compartilhada, pela amizade e pela vontade de conectar pessoas com os mesmos interesses.

Para conhecer um pouco mais sobre a história do Whiplash! e a trajetória de João Paulo Andrade, assista ao vídeo:

▶️ https://www.youtube.com/watch?v=4Y0W33xdcuM

Deixo também um grande abraço aos amigos que continuam mantendo vivo o espírito do Whiplash! após todos esses anos no nosso grupo Whiplash! Gods.

A seguir, compartilho uma matéria publicada pela revista RockBrigade na época, registrando um pouco dessa história.

Adonai Andrade

Minha história começou antes mesmo do meu nascimento. Foi meu pai quem escolheu meu nome, inspirado no personagem Adonai, protagonista do livro Adonai, de Jorge Adoum, cuja história continua na obra O Batismo da Dor. Ao longo da vida, compreendi que aquele não foi apenas um nome escolhido por sonoridade ou acaso, mas um presente carregado de simbolismo, expectativas e afeto. De certa forma, meu nome sempre me recordou da importância que os livros, o conhecimento e os ideais tiveram em sua vida — e, por consequência, na minha.

Com o tempo, compreendi que meu pai não havia me dado apenas um nome. Havia me deixado uma direção de vida.


Sobre minha vida pessoal


É sempre difícil falar sobre a própria vida. Talvez porque a maior parte do que realmente importa não apareça em currículos, certificados ou cargos ocupados.

Sou marido, pai e avô. Se existe algo que aprendi ao longo dos anos, é que os relacionamentos que construímos são muito mais importantes do que qualquer realização profissional. Boa parte das minhas maiores alegrias, preocupações, aprendizados e motivos para continuar seguindo em frente estão dentro da minha própria família.

Sou feliz, ao ver minhas filhas construindo suas próprias famílias, ao acompanhar o crescimento da minha neta — tão afetiva e carinhosa em um mundo que, por vezes, parece caminhar na direção oposta — e compartilhar a vida com minha esposa, sendo amado e amando todos os dias.

Também sou filho. E, embora a ausência física de meu pai tenha se tornado uma realidade, sua presença continua em muitas das escolhas que faço, nos valores que procuro preservar e na forma como enxergo o conhecimento, o trabalho e as pessoas. Muito do que sou foi construído a partir de seu exemplo.

Sempre fui movido pela curiosidade. Gosto de aprender, de compreender como as coisas funcionam e de explorar novos caminhos. Essa característica me levou à tecnologia, aos livros, à escrita, aos projetos profissionais e a muitos outros interesses que surgiram ao longo da vida. Alguns permaneceram, outros ficaram pelo caminho, mas todos contribuíram para moldar quem sou.

Sou introspectivo, e acredito na importância do silêncio, da reflexão e do tempo. Muitas das decisões mais importantes da minha vida não nasceram da pressa, mas da observação, da experiência acumulada e, em alguns casos, até dos sonhos. Aprendi que nem tudo precisa ser compreendido imediatamente e que algumas respostas chegam apenas quando estamos prontos para ouvi-las.

Aprendi a gostar de plantas, e hoje elas ocupam um espaço especial na minha vida. Também gosto de histórias, de música, de andar de moto e de poucas, mas boas conversas.

Sou contemplativo. Em uma mesa cheia, dificilmente serei o centro da conversa. Sempre me senti mais confortável ouvindo do que falando. A solitude nunca foi um problema para mim. Gosto das pessoas, valorizo as amizades verdadeiras, mas nunca senti necessidade de estar constantemente cercado por elas para me sentir completo.

Sendo filho de meu pai, que, apesar de uma seriedade única, era muito mais expansivo e comunicativo do que eu, hoje compreendo melhor o significado de uma frase que ele costumava repetir após passarmos horas lado a lado, muitas vezes em silêncio, sendo pais, irmãos e amigos: "Entendo meu filho... você não é deste mundo."

Acredito que aquela era a maneira dele dizer que aceitava meu jeito de ser, mesmo sendo diferente do seu, nesse quesito comunicativo. E eu compreendendo o jeito dele, fazia questão de manter nossa casa cheia da família e dos poucos amigos. Era a minha forma de deixar que ele fosse plenamente quem era.

Aprecio a tecnologia pelas possibilidades que ela cria para ajudar pessoas, resolver problemas e transformar realidades. Talvez seja justamente por isso que escolhi usar a tecnologia como um fim para parte dos meus propósitos.

Com o passar dos anos, deixei de acreditar que a vida é uma linha reta. Hoje a vejo como uma coleção de encontros, aprendizados, perdas, recomeços e pequenas descobertas cotidianas. E talvez seja justamente isso que a torna tão interessante.

Se este site existe, é porque acredito que experiências só fazem sentido quando podem ser compartilhadas. Aqui estão reunidos alguns fragmentos da minha trajetória, das pessoas que marcaram meu caminho e das ideias que continuam me acompanhando.

Mantras

"A verdadeira jornada acontece dentro de nós." (Inspirado em O Batismo da Dor, Jorge Adoum)

"eu não devo sentir medo. medo é o assassino da mente. medo é a pequena morte que traz a eliminação total. eu enfrentarei meu medo. eu permitirei que ele passe por mim e através de mim. e quando ele tiver-se ido eu voltarei minha visão interior para contemplar a sua trilha. por onde o medo passou nada restará. apenas eu permaneço." (Duna, Frank Herbert)

"Não há mais nada a fazer. Eu sou uma gaivota" (Fernão Capelo Gaivota, Richard Bach)

"Os vossos filhos não são vossos filhos. São os filhos e as filhas da Vida que anseia por si mesma. Eles vêm através de vós, mas não de vós. E, embora estejam convosco, não vos pertencem. Podeis dar-lhes o vosso amor, mas não os vossos pensamentos, pois eles têm os seus próprios pensamentos." (O Profeta, Gibran Khalil Gibran)